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Crianças no espectro autista entrevistam Rogério Ceni em ação do Bahia
Rogério Ceni trocou as tradicionais entrevistas sobre futebol por uma conversa diferente na Cidade Tricolor. Em uma ação promovida pelo Bahia em parceria com a Clínica Mundo TEA, crianças no espectro autista assumiram o papel de entrevistadoras e fizeram perguntas ao treinador do Esquadrão.
Durante cerca de 20 minutos, os assuntos passaram longe de escalações, resultados e próximos adversários. Ceni respondeu sobre a infância, os tempos de jogador, matemática e outros aspectos de sua vida pessoal e profissional a partir das curiosidades apresentadas pelas crianças.
“Mais do que entrevistar, elas fizeram o que toda criança faz de melhor: perguntaram exatamente aquilo que tinham vontade de saber”, destacou o Bahia ao divulgar o encontro nas redes sociais.
Matemática vira desafio para Ceni
Um dos momentos mais curiosos da conversa aconteceu quando Lenilson decidiu testar os conhecimentos matemáticos do treinador.
O garoto apresentou uma sequência de cálculos para Ceni resolver. O técnico conseguiu responder aos desafios e chegou até a encarar uma questão envolvendo dízima periódica.
A matemática também serviu de ponto de partida para Ceni recordar a própria infância. Questionado por Lenilson sobre como conseguia conciliar os estudos com os treinamentos, o comandante do Bahia detalhou a rotina que mantinha ainda adolescente.
“Eu jogava voleibol de manhã, das 6h às 7h. Ia para a escola e estudava até as 11h30. Voltava para casa, almoçava, trabalhava das 12h30 às 16h30 no Banco do Brasil e, depois, ia para a escola estudar às 19h. Era bem corrido quando eu tinha meus 12, 14 anos”, contou.
Ceni explicou ainda que, posteriormente, deixou o vôlei para se dedicar ao futebol, enquanto continuava dividindo o tempo com o trabalho e os estudos.
“Depois, larguei o vôlei e fiquei só com o futebol, o banco e a escola. Quando acabou o contrato com o banco, fiquei só com o futebol e a escola. O tio estudava bastante, era um aluno muito bom. Eu era bom em matemática”, complementou.
Futebol deu lugar ao tênis
A carreira como jogador também entrou na conversa. Perguntado se ainda gostava de jogar futebol, Ceni explicou que as limitações físicas fizeram com que a prática deixasse de fazer parte de sua rotina.
“Já gostei muito. O tio jogou bola a vida inteira. Hoje, sente muitas dores no joelho, está um pouquinho mais velho e pesado, mas adoro ver futebol e dar treino. Jogar, o tio já não joga”, respondeu.
O treinador revelou que ainda participa ocasionalmente de partidas com funcionários, mas atualmente prefere outro esporte.
“Só quando tem o nosso baba dos funcionários, onde o tio mora. O pessoal da rouparia, massagistas, médicos, e o tio participa um pouco. Gostei muito de jogar futebol. Hoje, gosto mais de jogar tênis”, acrescentou.
Convite para treinar como goleira
Outro momento da entrevista aconteceu durante a conversa com Luísa. A menina perguntou se Ceni poderia ensiná-la a ser uma boa goleira.
Maior goleiro-artilheiro da história do futebol, o atual treinador do Bahia aceitou a missão e foi além: convidou Luísa para conhecer de perto um treinamento específico da posição.
“Podemos marcar um dia para você vir aqui e fazer um treinamento de goleiros. Vamos pegar um treinador de goleiros para mostrar como é o treino. Pode vir olhar ou até participar no futebol feminino. Você já treina ou só gosta de jogar?”, perguntou Ceni.
Luísa explicou que costuma jogar apenas com o primo na rua. “Então você pode vir assistir e participar de um treino de goleiros”, respondeu o treinador. Ao final do encontro, Ceni também presenteou as crianças com luvas de goleiro autografadas.
Trabalho de Rogério Ceni no Bahia
O encontro acontece em um momento simbólico da passagem de Rogério Ceni pelo Bahia. No comando do clube desde setembro de 2023, o treinador completou recentemente 200 partidas à frente do Esquadrão.
Durante o período, ele conquistou os Campeonatos Baianos de 2025 e 2026 e a Copa do Nordeste de 2025. Ceni também possui atualmente o segundo trabalho mais longevo do futebol brasileiro e ocupa a quinta posição entre os técnicos com mais jogos na história do Bahia.
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